sexta-feira, 20 de março de 2009

Reforma Ortográfica

A reforma ortográfica trará um grande impacto na educação brasileira e na sua vida, por isso fique ligado.
O objetivo é acabar com as diferenças entre a grafia do Brasil e a dos demais países que têm o Português como sua língua oficial, e com isso aproximar as culturas destes países.
Por se tratar de um assunto que atinge todos nós, gera polêmica e debates, e quando as novas regras começarem para valer você terá que se adaptar aos novos tempos.
Segundo especialistas, serão necessários alguns anos para a sociedade se acostumar com a nova ortografia brasileira, e é na sala de aula que vai começar as mudanças na ortografia da língua portuguesa. Inclusive os livros didáticos com nova ortografia serão os primeiros a ter obrigatoriedade da “nova língua” brasileira.
Deixe aqui sua opinião com relação a este assunto. O que você pensa sobre essas mudanças, privilégios e prejuízos, e qual a melhor maneira de apresentá-las aos seus alunos.

Dicas de Redação

  • Evite repetições de sons, de palavras e de idéias. Repetição de palavras denota vocabulário escasso e a repetição de ideias demonstra falata de cultura e conhecimento geral.
  • Evite o exagero de conectivos (conjunções e pronomes relativos), evitando a repetição e para não elaborar períodos muito longos.
  • Não afirme o que não pode ser provado.
  • Não faça parágrafos muito curtos nem muito longos.O ideal seria que os parágrafos contivessem, no mínimo, 4 linhas e, no máximo, 7 linhas.

Minutos de Reflexão

Tire o chapéu para o passado, e arregace as mangas para o futuro!
Tire de cada dificuldade que a vida lhe trouxer a lição de que ...
nada tem valor a não ser o que é conquistado.

segunda-feira, 16 de março de 2009

GAIOLAS OU ASAS?

Picasso dizia: “Eu não procuro. Eu encontro”. Assim são os pensamentos. Eles aparecem de repente, sem terem sido procurados. Pois, de repente, sem que o procurasse, este pensamento me atacou: “Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas”.
As gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Seu dono pode levá-los para onde quiser. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Asas não amam as gaiolas. O que elas amam é o vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado. Esse pensamento nasceu de um sofrimento: sofri conversando com professoras de segundo grau em escolas de periferia. O que elas contam são relatos de horror e medo. Balbúrdia, gritaria, desrespeito, ofensas, ameaças... Ouvindo seus relatos, vi uma jaula cheia de tigres famintos, dentes arreganhados, garras à mostra e as domadoras com seus chicotes, fazendo ameaças fracas demais para a força dos tigres... Sentir alegria ao sair de casa para ir à escola? Ter prazer em ensinar? Amar os alunos? Seu sonho é livrar-se de tudo aquilo. Mas não podem. A porta de ferro que fecha os tigres é a mesma porta que as fecha junto com os tigres.
Nos tempos de minha infância, eu tinha um prazer cruel: pegar passarinhos. Fazia minhas próprias arapucas, punha fubá dentro e ficava escondido, esperando... O pobre passarinho vinha atraído pelo fubá. Ia comendo, entrava na arapuca, pisava no poleiro – e era uma vez um passarinho voante. Cuidadosamente, eu enfiava a mão na arapuca, pegava o passarinho e colocava dentro de uma gaiola. O pássaro se lançava furiosamente contra os arames, batia as asas, crispava as garras, enfiava o bico entre os
vãos, na inútil tentativa de ganhar de novo o espaço, ficava ensangüentado... Sempre me lembro com tristeza de minha crueldade infantil.
Violento o pássaro que luta contra os arames da gaiola? Ou violenta será a imóvel gaiola que o prende? Violentos os adolescentes de periferia? Ou serão as escolas que são violentas? As escolas serão gaiolas?
Me falarão sobre a necessidade das escolas, dizendo que os adolescentes de periferia precisam ser educados para melhorar de vida. De acordo. É preciso que os adolescentes, é preciso que todos tenham uma boa educação. Uma boa educação abre os caminhos para uma vida melhor.
O que é uma boa educação? O que os burocratas pressupõem é que os alunos ganham uma boa educação se aprendem os conteúdos dos programas oficiais. E para testar a qualidade da educação, criam-se mecanismos, provas, avaliações, exames, testes.
Mas será mesmo? Será que a aprendizagem dos programas oficiais se identifica com o ideal de uma boa educação? Você sabe o que é “dígrafo”? E os usos da partícula “se”? E o nome das enzimas que entram na digestão? E o sujeito da frase “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante”? Qual a utilidade da palavra “mesóclise”? Pobres professoras, também engaioladas pelos programas...
São obrigadas a ensinar o que os programas mandam, sabendo que é inútil. Bruno Bettelheim relata sua experiência com as escolas: “Fui forçado (!) a estudar o que os professores haviam decidido que eu deveria aprender – e aprender à sua maneira...”.
Qual é o sujeito da educação? O sujeito da educação é o corpo. É o corpo que quer aprender para poder viver. Esse é o único objetivo da educação: viver e viver com prazer. A inteligência é um instrumento do corpo cuja função é ajuda-lo a viver. Nietzsche dizia que ela, a inteligência, era “ferramenta” e “brinquedo” do corpo. Nisso se resume o programa educacional do corpo: aprender “ferramentas”, aprender “brinquedos”.
“Ferramentas” são conhecimentos que nos permitem resolver os problemas vitais do dia-a-dia. “Brinquedos” são todas aquelas coisas que, não tendo nenhuma utilidade como ferramentas, dão prazer e alegria à alma. No momento em que escrevo, estou ouvindo uma sonata de Beethoven. Ela não serve para nada. Não é ferramenta.
Não serve para nada. Mas enche minha alma de felicidade. Nessas duas palavras, ferramenta e brinquedo, está o resumo da educação.
Ferramentas e brinquedos não são gaiolas. São asas. Ferramentas me permitem voar pelos caminhos do mundo. Brinquedos me permitem voar pelos caminhos da alma. Quem está aprendendo ferramentas e brinquedos está aprendendo liberdade. Quem aprende liberdade não fica violento. Fica alegre, vendo as asas crescerem... Assim, todo professor, ao ensinar, teria que perguntar: “Isso que vou ensinar é ferramenta? É brinquedo?” Se não for, é melhor deixar de lado.
As estatísticas oficiais anunciam o aumento das escolas e o aumento dos alunos matriculados. Esses dados não me dizem nada. Não me dizem se são gaiolas ou asas. Mas eu sei que há professores que amam o vôo de seus alunos. Há esperança.
Rubem Alves

Ao lermos a crônica “Gaiolas ou Asas”, acabamos por concordar com a frase, “assim são os pensamentos, eles aparecem de repente sem terem sido procurados”, remetemo-nos de volta ao desejo inicial dessa pesquisa de apenas tentar compreender a aversão que os alunos têm pela leitura, porém, os pensamentos vieram e fizeram com nosso olhar se desviasse para outro foco. Fica a pergunta latente em nossa mente, onde se enquadra nossa prática docente? Queremos fazer parte de qual escola, a que encoraja seus alunos ao vôo? Ou estamos tão engaiolados quanto nossos alunos?